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Dia 3 – O corpo fala

svg25 de maio de 2025Séries

O terceiro dia amanheceu mais árido. A boca de Jesus estava seca. O estômago, vazio. A mente começava a sentir os primeiros efeitos do jejum prolongado. A caminhada pelo deserto se tornava mais lenta. Seus passos afundavam na areia quente, como se cada um exigisse uma escolha.

O corpo gritava, e cada grito parecia chamar por alívio.

Sentado à beira de uma encosta de pedras, Jesus deixou o olhar vaguear pelo horizonte, onde o céu tremia com o calor. Ele fechou os olhos. E então, como um vento que chega sem ser visto, a Voz falou novamente:

– Sente fome, meu Filho?

– Sim, Pai. Fome… e cansaço. Meu corpo pede o que sempre teve: pão, água, descanso.

– O corpo é bom, Jesus. Eu o criei. Mas ele é mestre exigente. Se você não aprender a governá-lo, será por ele governado.

Jesus manteve os olhos fechados, refletindo em silêncio.

– O corpo fala, não é? Fala alto. Mas a alma… fala mais fundo.

– Fala, sim. Mas muitos não aprendem a ouvi-la. Correm para satisfazer o corpo e esquecem que a alma também tem fome – fome de sentido, de verdade, de Mim.

– E como distinguir, Pai, a fome da alma da fome do corpo?

A resposta veio como brisa sobre a pele cansada:

– O corpo quer o agora. A alma deseja o eterno.

Jesus abriu os olhos. Lágrimas brotaram, silenciosas. A dor da fome não era apenas física – era o confronto entre o que é passageiro e o que permanece.

– Então a renúncia fortalece o que é eterno?

– Sim. Cada vez que você nega o impulso do corpo por amor ao propósito, você declara que há algo maior do que o prazer imediato. E isso molda a eternidade dentro de você.

Jesus colocou a mão sobre o peito.

– O que estou fazendo aqui, Pai, não é só para mim, não é?

– Não, Filho. Você está vencendo por muitos. Por aqueles que, um dia, terão que dizer “não” ao que os escraviza. Quando se sentirem fracos, lembrarão que você sentiu fome, sede, dor… mas escolheu obedecer.

Jesus se curvou um pouco, tocando o chão quente com a ponta dos dedos.

– Então, que a minha fome seja semente para a liberdade deles.

– E será. O deserto em que você pisa hoje, abrirá caminho para que muitos saiam do deles.

O sol estava alto, e o calor parecia mais pesado. Mas dentro de Jesus, algo crescia em força. Ele estava aprendendo a ouvir a alma, a escutar a vontade do Pai acima dos clamores do corpo.

No deserto, onde tudo é reduzido ao essencial, Ele aprendia o valor da obediência silenciosa.

E assim terminou o terceiro dia – com fome no estômago, mas alimento no espírito.

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