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Dia 10 – A dor da expectativa

svg1 de junho de 2025Séries

O décimo dia amanheceu com um gosto amargo no coração de Jesus.

Não era apenas a fome, a sede, ou o cansaço que o afligia — era a consciência de tudo o que estava por vir. O que Ele carregava dentro de si não era leve: era o peso de saber. Saber do abandono. Saber da cruz. Saber da rejeição daqueles a quem amaria mais profundamente.

Enquanto caminhava, as perguntas se tornavam mais intensas.

– Pai… por que me mostras tudo isso? Por que me fazes sentir antecipadamente o que ainda nem aconteceu?

A Voz do Pai veio calma, mas firme:

– Porque a missão exige entrega antes mesmo que ela comece. E o amor verdadeiro prevê a dor… mas ainda assim, decide continuar.

Jesus assentou-se num canto de sombra. Seu olhar se perdia na paisagem, mas sua mente estava cheia de rostos que ainda não conhecia, mas que já amava.

– Eu os verei se afastarem, mesmo depois de serem curados. Eu ouvirei gritos pedindo minha morte, mesmo depois de alimentar suas famílias. Eu sentirei o peso de ser rejeitado… por aqueles por quem entregarei minha vida.

– Sim, Filho. E mesmo assim… você os amará.

– Isso me corrói por dentro, Pai. Saber que muitos me esquecerão. Que me usarão. Que distorcerão cada palavra.

– E isso te ensinará o que é graça: amar não porque merecem, mas porque você decidiu amar.

Jesus fechou os olhos, lágrimas discretas escorreram por seu rosto marcado pela poeira.

– Eu não terei expectativas, então?

– Você terá. E elas serão frustradas muitas vezes. Mas cada frustração será uma oportunidade de amar com mais pureza.

Jesus abaixou a cabeça.

– Como não endurecer, Pai? Como não me tornar frio diante da ingratidão?

– Lembrando que Eu também amo um mundo que me ignora todos os dias. E ainda assim, continuo sustentando cada respiração.

Silêncio. Profundo. Santo.

Jesus entendeu: expectativa é o preço de quem ama com profundidade. Quem ama, espera. E quem espera, às vezes se frustra. Mas quem continua amando… se torna espelho do Pai.

– Eu não fugirei disso, Pai. Nem esconderei meu coração. Eu amarei… mesmo quando doer.

– E é por isso que você é meu Filho. Em você, meu amor será visto. Mesmo pelos que o rejeitarem.

O vento soprou mais suave. Como se acariciasse o rosto de quem tinha acabado de decidir não fechar o coração para o mundo.

E assim terminou o décimo dia — o dia em que Jesus aprendeu que amar com expectativa é se preparar para a dor, mas também para a glória de amar como Deus ama: sem reservas, sem garantias, mas com toda a entrega.

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