O décimo segundo dia amanheceu com um silêncio profundo, diferente daquele do deserto ao redor. Era um silêncio interior, aquele que brota quando todas as palavras cessam e o coração se volta para o essencial.
Jesus sentou-se sobre uma pedra quente, os olhos fechados, buscando em si mesmo uma calma que há dias não encontrava.
– Pai, por que tantas palavras? Por que tantas lições? Não é no silêncio que se encontra a força?
A Voz do Pai, suave como a brisa da manhã, respondeu:
– Exatamente, Filho. O silêncio é onde a alma se encontra com a verdade. Onde a mente descansa e o espírito se fortalece.
Jesus abriu os olhos, observando o vasto horizonte. O sol começava a pintar o céu com tons de dourado.
– Mas o silêncio pode ser assustador. Parece que tudo está vazio, que nada acontece. Como aprender a estar em paz nele?
– O silêncio não é vazio, é presença. Presença Minha, que sustenta tudo o que existe. Quando o coração aprende a escutar o silêncio, ele escuta a Mim.
Jesus inclinou a cabeça, sentindo o peso de seus pensamentos se dissolverem lentamente.
– Então, Pai, o silêncio não é ausência, mas convite para ouvir?
– Sim. O mundo está cheio de ruídos que distraem. Mas quem aprende a silenciar, escuta a voz da sabedoria.
Jesus fechou os olhos novamente, permitindo-se o encontro com a quietude.
– Que eu não tema o silêncio, Pai. Que eu o acolha como fonte de força para a jornada.
– E será assim, Filho. No silêncio, você encontrará a coragem para enfrentar o que virá.
O vento percorreu as dunas, levando consigo o eco de uma promessa.
E assim terminou o décimo segundo dia — o dia em que Jesus descobriu que a verdadeira força nasce no silêncio interior, onde o espírito se conecta ao Pai e se prepara para a missão.




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