No trigésimo sexto dia, o silêncio do deserto parecia mais denso, quase palpável, envolvendo Jesus em uma paz profunda.
Ele perguntou ao Pai, com voz baixa:
— Pai, por que o silêncio é tão difícil para muitos e, ao mesmo tempo, tão necessário?
A voz do Pai respondeu calma e cheia de sabedoria:
— Filho, o silêncio revela o que o barulho do mundo esconde: a verdade do coração e a voz da alma.
Jesus refletiu profundamente:
— Mas como ensinar a valorizar o silêncio quando tantos buscam fugir dele?
— O silêncio é um encontro contigo mesmo e comigo. Nele, as máscaras caem e o espírito se encontra com a essência.
— E como não temer o que o silêncio pode mostrar?
— Com coragem, fé e entrega. No silêncio, encontrarás respostas que a pressa jamais trará.
Jesus fechou os olhos, sentindo a serenidade invadir seu ser.
— Que eu possa buscar e ensinar o valor do silêncio, onde se escuta a voz que transforma.
— E assim será, Filho. Porque no silêncio habita a profundidade da vida e a comunhão verdadeira.
O deserto parecia sussurrar, ensinando que o silêncio é mais que ausência de som — é presença do divino.
E assim terminou o trigésimo sexto dia — o dia em que Jesus compreendeu que o silêncio é a porta para a verdade interior e para o encontro com Deus.




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