No décimo terceiro dia, o deserto parecia se estender infinito à frente, e Jesus sentiu mais forte o peso do tempo — aquele tempo que parecia lento, quase parado, enquanto a missão que Ele sabia ser sua ainda não se manifestava plenamente.
Sentado sobre uma pedra, Ele questionou:
— Pai, quanto tempo mais? Por que a espera é tão longa? Eu sinto em mim a urgência do mundo, a pressa das almas.
A voz do Pai veio serena, cheia de profundidade:
— Filho, a espera é parte do preparo. A pressa não traz fruto; a paciência sim. Como a semente que fica na terra, invisível, até o tempo certo de brotar.
Jesus olhou para o horizonte, onde o sol começava a aquecer a areia fria da madrugada.
— Mas, Pai, é difícil suportar a ansiedade, a dúvida que nasce no silêncio da espera.
— A ansiedade é o vento que pode secar a raiz, mas a esperança é a água que a fortalece. Você deve aprender a cultivar esperança e confiar no tempo que Eu estabeleço.
— E se o tempo parecer injusto? Se o mundo sofrer sem minha ação imediata?
— Então você deve lembrar: Eu estou em controle. E a espera, por mais difícil que seja, está sendo usada para moldar algo maior.
Jesus fechou os olhos, buscando aquietar o coração.
— Ensina-me, Pai, a ser sábio na espera, a não perder o foco nem a fé.
— A sabedoria da espera está em reconhecer que não somos donos do tempo, mas jardineiros da paciência. Quem planta com fé, colherá com alegria.
Um vento suave levantou a poeira ao redor, como um convite para que Jesus continuasse firme.
— Eu aprenderei a esperar, Pai. Porque sei que no tempo certo, a luz surgirá.
— Exatamente, Filho. E essa luz será ainda mais brilhante porque nasceu da paciência do seu coração.
E assim terminou o décimo terceiro dia — o dia em que Jesus entendeu que a espera, embora difícil, é um caminho essencial para a maturidade e a sabedoria da missão.




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