O décimo quarto dia trouxe consigo uma brisa que parecia limpar a poeira do deserto, mas também agitou os pensamentos e sentimentos de Jesus.
Enquanto caminhava, Ele sentiu a necessidade de falar, de expor aquilo que já brotava em Seu coração.
— Pai, tenho medo da verdade que carrego. Não a verdade do que sou, mas a verdade do que serei para este mundo.
A voz do Pai respondeu firme, mas cheia de ternura:
— Filho, a verdade pode ser dura, sim. Pode ferir e ser rejeitada. Mas é a única luz que dissipa as trevas.
Jesus parou, fitando uma pedra lisa, marcada pelo tempo.
— Como terei coragem para falar verdades que muitos não querem ouvir? Que podem até odiar?
— Coragem não é ausência de medo, mas a decisão de agir apesar dele. Você não estará sozinho; Eu estarei contigo, fortalecendo cada palavra.
— E se minhas palavras causarem divisão? Se meus ensinamentos forem mal interpretados?
— Então sua missão será dupla: proclamar a verdade e amar aqueles que rejeitam a luz.
Jesus respirou fundo, sentindo uma mistura de temor e determinação.
— Eu aceito, Pai. Quero ser porta-voz da verdade, mesmo que isso me custe tudo.
— Essa é a coragem que transforma o mundo, Filho. Que o medo não te paralise; que a verdade seja tua espada e tua escudo.
O sol começava a subir mais alto, iluminando a vastidão do deserto e também o coração daquele que se preparava para a maior missão.
E assim terminou o décimo quarto dia — o dia em que Jesus aprendeu que a coragem para falar a verdade, mesmo diante do medo e da rejeição, é fundamental para iluminar a humanidade.




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