O décimo quinto dia amanheceu com um céu limpo, mas no coração de Jesus, uma questão que ardia como o sol do deserto: o perdão.
Enquanto caminhava lentamente entre as pedras, Ele pensava nos inimigos que viria a enfrentar. Nas traições, nas ofensas, nas dores que seriam causadas.
— Pai, como perdoar aqueles que ferirão com palavras e atos? Como amar aqueles que me rejeitarão?
A voz do Pai veio cheia de paz:
— Filho, o perdão não é um sentimento fácil, mas uma decisão que liberta o coração da prisão do ódio.
Jesus parou, olhou para o chão, vendo a poeira subir a cada passo do vento.
— Mas perdoar não significa esquecer ou aceitar o mal, não é?
— Não, Filho. Perdoar significa libertar-se da corrente que prende o coração ao passado, e escolher o caminho da reconciliação para o futuro.
— E quando o perdão parece impossível? Quando a dor é profunda demais?
— Então lembre-se que Eu mesmo perdoei os que me crucificaram. E te dou a força para fazer o mesmo.
Jesus fechou os olhos, sentindo a dimensão do que estava sendo pedido.
— Que eu não guarde rancor, Pai. Que meu coração seja espelho da Tua misericórdia.
— E será, Filho. Porque o perdão é a chave que abre portas de cura para o mundo e para você mesmo.
Um silêncio se fez, pesado e ao mesmo tempo leve, como o peso da paz que nasce do perdão.
E assim terminou o décimo quinto dia — o dia em que Jesus compreendeu que perdoar é uma força maior do que a própria dor, e o caminho para restaurar a humanidade.




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