No décimo oitavo dia, o silêncio do deserto parecia mais pesado, e o vazio ao redor refletia o que Jesus sentia por dentro.
Ele sentou-se na areia quente, olhando para o céu aberto, e falou:
— Pai, a solidão é difícil. Mesmo sabendo que estás comigo, sinto-me só.
A voz do Pai chegou suave, mas cheia de presença:
— Filho, a solidão é uma das provas mais duras para quem tem uma missão. Mas não é ausência, é oportunidade de encontro.
Jesus olhou para suas mãos e depois para o horizonte infinito.
— Como transformar a solidão em companhia? Como encontrar força no vazio?
— No silêncio da solidão, ouça Minha voz. Na ausência dos homens, encontre a Minha presença. Não temas estar só, pois Eu sou o teu companheiro fiel.
— Mas e o coração que anseia por abraço, por palavras, por calor humano?
— Esse é o desafio do servo: aprender que o amor verdadeiro começa no encontro contigo mesmo e comigo.
Jesus fechou os olhos, sentindo o vento acariciar seu rosto.
— Que eu não fuja da solidão, mas a acolha como caminho para crescer e me preparar.
— E assim será, Filho. Porque na solidão, tua alma será fortalecida para amar o mundo que virá.
E assim terminou o décimo oitavo dia — o dia em que Jesus aprendeu que a solidão, embora difícil, é um espaço sagrado para o encontro com o Pai e consigo mesmo.




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