No vigésimo nono dia, o sol estava alto, implacável, mas no coração de Jesus, um calor diferente começava a arder — o calor do perdão.
Ele olhou para as pedras ao seu redor e perguntou:
— Pai, como ensinar o perdão quando a mágoa e a injustiça parecem tão profundas?
A voz do Pai veio serena e firme:
— Filho, o perdão é a chave que liberta o coração preso à dor. Sem ele, o espírito se torna refém do passado.
Jesus fechou os olhos, sentindo o peso das ofensas que carregava a humanidade.
— Mas como perdoar quando a ferida ainda sangra e o coração está ferido?
— O perdão não apaga a dor, mas a transforma em força para seguir adiante. Ele nasce da compaixão e do entendimento.
— E quando a justiça parece pedir vingança?
— Confie em Mim, que sou justo e misericordioso. O perdão não é fraqueza, mas um ato de coragem e amor.
Jesus respirou profundamente, sentindo o perdão como uma brisa que aliviava seu ser.
— Que eu possa perdoar, mesmo quando é difícil, para que o amor prevaleça.
— E assim será, Filho. Porque o perdão é o caminho para a verdadeira paz e reconciliação.
O deserto, imenso e silencioso, parecia acolher aquele compromisso de amor.
E assim terminou o vigésimo nono dia — o dia em que Jesus compreendeu que o perdão é a ponte que reconcilia corações e liberta almas.




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